Stress Térmico

 

Calor – Stress Térmico – IBUTG

 

O calor é um agente presente em vários ambientes de trabalho em empresas como siderúrgicas, forjarias e em atividades desenvolvidas a “céu aberto”, como na construção civil. Ao contrário de outros agentes ambientais, na avaliação do calor, há diversos eventos e fatores envolvidos que devem ser analisados, através de  índices de avaliação de calor correlacionados.

Efeitos à Saúde

Quando o calor cedido pelo organismo ao meio ambiente é inferior ao recebido ou produzido pelo metabolismo total (metabolismo basal+metabolismo de trabalho), o organismo tende a aumentar sua temperatura. Para evitar essa hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo), são colocados alguns mecanismos de defesa, tais como:

  1. Vaso dilatação periférica
    Com o aumento do calor ambiental, o organismo humano promove a vasodilatação periférica, no sentido de permitir meios de troca de calor entre o organismo e o ambiente.
  2. Ativação das glândulas sudoríparas
    Há aumento do intercâmbio de calor através da transformação do estado líquido em vapor.
  3. Consequências da hipertermia
    Caso a vasodilatação periférica e a sudorese não sejam suficientes para manter a temperatura do corpo em torno de 37 ºC, haverá conseqüências para o organismo que podem se manifestar das seguintes formas:

     

    • Exaustão do calor: Com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao calor, há uma insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando na queda da pressão arterial;
    • Desidratação: A desidratação provoca, principalmente, redução de volume de sangue, promovendo a exaustão do calor.
    • Câimbras do calor: Na sudorese, há perda de água e sais minerais, principalmente NaCl (Cloreto de Sódio). Poderão ocorrer câimbras com a redução desta substância no organismo.
    • Choque térmico: Ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge determinado nível, colocando em risco algum tecido vital que permanece em contínuo funcionamento.

Medidas de Controle

Fonte:

  • Alterar as características da fonte geradora de calor variando a potência;
  • Utilizar instrumentação e automatização do processo.

Trajetória:

  • Utilizar barreiras entre a fonte e o trabalhador;
  • Aumentar a distância entre o local de trabalho e a fonte de calor;
  • Ventilar ar fresco no ambiente de trabalho;
  • Reduzir a umidade através da exaustão do vapor d´água proveniente do processo.

No indivíduo:

  • Limitar o tempo de exposição através de revezamento de pessoas ou tarefas, otimizando os ciclos de trabalho na execução de tarefas.
  • Utilizar EPI’s, principalmente óculos com lentes especiais, luvas, aventais e capuz de material isolante;
  • Monitorar o trabalhador realizando exames médicos periódicos;
  • Aclimatar o trabalhador e garantir a hidratação por reposição de sais minerais;
  • Elaborar procedimentos que diminuam a exposição do trabalhador à fonte de calor;
  • Garantir ao trabalhador o direito de realizar pausas em respostas as suas limitações físicas, evitando a fadiga;
  • Conscientizar os trabalhadores sobre os riscos da exposição ao calor.

Avaliação Ocupacional do Calor

A avaliação de calor nos postos de trabalho deve ser feita através de instrumentos que englobam um conjunto de termômetros, podendo ser utilizados equipamentos digitais desde que alguns requisitos sejam atendidos, tais como:

Termômetro de globo: Composto de esfera oca de cobre de 1 mm de espessura, com 152,4 mm de diâmetro, pintada exatamente de preto fosco, e termômetro de mercúrio com escala mínima de +10 ºC a + 150 ºC, com precisão mínima de leitura de + 0,1 ºC. Existem no mercado alguns equipamentos digitais que  possuem o globo menor de 152,4 mm de diâmetro, para estes casos deverão ser juntamente com a avaliação de calor, deve ser avaliado a velocidade do ar (m/s) existente no ambiente de trabalho, para fins de aplicação de fator de correção.

A finalidade do termômetro de globo é de medir o calor radiante existente no ambiente de trabalho.

Termômetro de Bulbo Úmido: composto de termômetro de mercúrio com escala mínima de + 10 ºC a + 50 ºC e precisão mínima de leitura de + 0,1 ºC, erlenmeyer de 125 ml, pavio de tecido branco de algodão, de alto poder de absorção de água com comprimento mínimo de 100 mm, e água destilada. É usado para medir o calor influenciado pela umidade do ar.

Termômetro de bulbo Seco: Termômetro de mercúrio, com escala mínima de + 10 ºC a + 100 ºC e precisão mínima de leitura de + 0,1 ºC. É usado para medir a temperatura do ar.

Além da instrumentação empregada na avaliação de calor, deve-se também definir a estratégia de amostragem. Existem algumas formas amostrais que podem ser seguidas durante a verificação de exposição ao calor, conforme estratégia de amostragem, que destacamos abaixo:

Estratégia de Amostragem: Processo de conhecimento progressivo das exposições dos trabalhadores, incluindo todos os passos qualitativos e quantitativos para a condução de seu julgamento e controle, de forma a assegurar a todos os expostos um padrão corporativo, mantendo tais exposições dentro de critérios de tolerabilidade definidos”.

  • Ciclo de exposição: conjunto de situações térmicas ao qual o trabalhador é submetido, conjugado às diversas atividades físicas por elas desenvolvidas, em uma seqüência definidas, e que se repete de forma contínua no decorrer da jornada de trabalho.
  • IBUTG médio: média ponderada no tempo dos valores de IBUTG obtidos em um intervalo de 60 minutos.
  • Situação térmica: cada parte do ciclo de exposição onde às condições do ambiente que interferem na sobrecarga térmico a que o trabalhador está exposto podem ser consideradas estáveis taxa metabólica média: média ponderada no tempo das taxas metabólicas, obtidas em um intervalo de 60 minutos corridos ponto de medição:ponto físico escolhido para o posicionamento do dispositivo de medição onde serão obtidas as leituras representativas da situação térmicas objeto de avaliação.
  • Limite de exposição: valor máximo de IBUTG médio, relacionado à média, que representa as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, durante toda a sua vida de trabalho, sem sofrer efeitos adversos à sua saúde.
  • EMR – Exposto de Maior Risco – É o trabalhador de um Grupo Homogêneo de Exposição que é julgado como possuidor da maior exposição relativa em seu grupo.
  • Grupo Homogêneo de Exposição – Corresponde a um grupo de trabalhadores que experimentam exposição semelhante de forma que o resultado fornecido pela avaliação da exposição de qualquer trabalhador do grupo seja representativo da exposição do restante dos trabalhadores do mesmo grupo. (NHO-06, IN 01 – Anexo 13-A, NR 15 e NR-22, item 22.17.1.1).

Limites de Tolerância – IBUTG

O Índice de temperatura de bulbo úmido termômetro de globo (IBUTG) foi desenvolvido inicialmente como um método simples para avaliar sobrecarga térmica em contingentes militares. Esse índice também permite o cálculo de períodos adequados de trabalho-descanso, no caso em que o índice ultrapasse os limites estabelecidos.

A legislação brasileira, pela portaria n. 3.214 de 8.6.1978 estabelece que a exposição ao calor seja avaliada por meio do IBUTG.

O IBUTG por sua vez, consiste um índice de sobrecarga térmica, definido por uma equação matemática que correlaciona alguns parâmetros medidos no ambiente de trabalho, conforme segue;

A NR-15 em seu Anexo 3 (Limites de Tolerância para Exposição ao Calor) indica que para ambientes internos sem carga solar deve-se usar a seguinte equação:

IBUTG= 0,7 tbn + 0,3 tg

Onde:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural
tg = temperatura de globo

A NR-15 em seu Anexo 3 (Limites de Tolerância para Exposição ao Calor) indica que para ambientes internos com carga solar deve-se usar a seguinte equação

IBUTG= 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg

Onde:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural
tg = temperatura de globo
tbs = temperatura de bulbo seco.

As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à altura da região do corpo mais atingida.

Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço.

  1. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no Quadro n º 1.

QUADRO Nº 1

Regime de Trabalho Intermitente com Descanso no Próprio Local de Trabalho (por hora) TIPO DE ATIVIDADE
LEVE MODERADA PESADA
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho
15 minutos descanso
30,1 a 30,6 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
30 minutos trabalho
30 minutos descanso
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
15 minutos trabalho
45 minutos descanso
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
Não é permitido o trabalho sem a adoção de medidas adequadas de controle acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0
  1. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais.
  2. A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita consultando-se o Quadro nº 3.

Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso).

  1. Para os fins deste item, considera-se como local de descanso ambiente termicamente mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve.
  2. Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro nº 2.

QUADRO Nº 2

M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG
175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0

Onde:
M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora, determinada pela seguinte fórmula:

M= Mt x Tt + Md x Td    60

Sendo:
Mt – taxa de metabolismo no local de trabalho.
Tt – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
Md – taxa de metabolismo no local de descanso.
Td – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso.
IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado pela seguinte fórmula:

  IBUTG= IBUTGt x Tt + IBUTGd x Td                   60

 
Sendo:
IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho.
IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso.
Tt e Td = como anteriormente definidos.

Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.

3. As taxas de metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se o Quadro n º 3.

4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais.

QUADRO Nº 3

 TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE

TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h
SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia).
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir).
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços.
125
150
150
TRABALHO MODERADO
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar.
180
175
220
300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá).
Trabalho fatigante
440
550

 Nota: Para fins de uma boa aplicação da Higiene Ocupaciona (HO) há necessidade que também sejam levadas em consideração outros limites de tolerância como, por exemplo, os da NHO 06 da Fundacentro, ACGIH e o do NIOSH

Publicada em : 26/09/2013

Fonte : BR Consultoria em Segurança no Trabalho



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